Onde você traça o limite quanto a quem pode ter direitos? Os insetos têm direitos?

Trecho do livro Introduction to Animal Rights: Your Child or the Dog?

Eu traço o limite na senciência porque, conforme argumentei, os seres sencientes têm interesses, e a posse de interesses é a condição necessária e suficiente para se fazer parte da comunidade moral. Os insetos são sencientes? Eles são seres conscientes com mentes que experienciam dor e prazer? Não sei. Mas o fato de eu não saber onde, exatamente, traçar o limite, ou de talvez achar difícil traçar o limite, não me dispensa da obrigação de traçar o limite em algum lugar, nem me autoriza a usar os animais como eu bem quiser. Embora eu possa não saber se os insetos são sencientes, eu realmente sei que vacas, porcos, galinhas, chimpanzés, cavalos, veados, cães, gatos e camundongos são sencientes. De fato, agora a senciência dos peixes já está amplamente reconhecida. Portanto, o fato de eu não saber em que lado da linha limítrofe eu devo colocar os insetos não me dispensa da minha obrigação moral para com os animais que eu já sei que são sencientes.

Em termos gerais, a intenção dessa pergunta é demonstrar que se não soubermos onde traçar o limite numa questão de moralidade, ou se for difícil traçar o limite, então não devemos traçar limite nenhum. Essa forma de raciocinar é inválida. Considere o seguinte exemplo. Existe muita divergência quanto ao escopo e à extensão dos direitos humanos. Algumas pessoas argumentam que a educação e a assistência médica são direitos fundamentais que um governo civilizado deveria proporcionar a todos; outras argumentam que a educação e a assistência médica são mercadorias como qualquer outra, e não um assunto dos direitos, e que as pessoas têm de pagar por elas. Mas creio que todos nós concordaríamos com a ideia de que, sejam quais forem nossas divergências quanto aos direitos humanos—por mais dúvidas que tenhamos quanto a onde traçar o limite—, o genocídio, por exemplo, é moralmente errado. Nós não dizemos que é moralmente aceitável exterminar populações inteiras porque divergimos quanto a se os humanos têm direito à assistência médica. Semelhantemente, nossa dúvida e nossa divergência quanto à senciência das formigas não são um alvará para ignorarmos os interesses dos chimpanzés, vacas, porcos, galinhas e outros animais que sabemos que são sencientes.

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